DEPOIMENTOS


Ego, do grego "Eu"

Resgatada. Foi exatamente assim que me senti, quando a oportunidade de fazer terapia para mim surgiu.

Confesso que, de primeira instância, um misto de insegurança e descrença me assaltou. Talvez pelas minhas próprias condições psicológicas ou concepções pré e mal formuladas. Porém, resolvi dar ouvidos à minha aguçada e persistente curiosidade pelo que aquela atividade poderia fazer por mim. Mal sabia que eu estava , assim, dando uma chance de libertação a mim mesma.

O aparente motivo que me levou às sessões fora o recente falecimento de minha mãe. Inúmeras responsabilidades novas haviam recaído sobre mim e, inconscientemente, eu [as] quiz e permiti que [isto acontecesse]. Eu estava sufocada demais para dar continuidade ao maçante cotidiano que tinha se configurado.

Acuada, eu preferia o ataque.

Acreditava, do alto de minha prepotência, que aquilo tudo era uma presepada da vida, que não deveria estar passando por tanto pesar e que em algum momento iriam perceber um terrível engano que havia sido cometido comigo.

É... estava cega demais pela minha onipotência para perceber que era, enfim, tempo de crescer; e crescer dói, mas é necessário.

Ao passo que meu relacionamento, com meu terapeuta, foi se auto-construindo, os fatos foram firmemente delatando coisas mais profundas que se escondiam atrás de [minhas antigas] desculpas falidas.

Descobri-me alguém com grande potencial, sendo este [estava sendo] desviado pela [minha] arrogância; e que eu precisava de uma ajuda extra e maestral: nunca pensei que me conheceria e reconheceria tanto e tão profundamente com a terapia. Eu disfarçava uma realidade que há muito tempo se fazia presente e contundente. Era preciso que esse quadro fosse mudado.

Com essa nova ajuda providencial, eu desencadeei um processo definitivo de identificação do meu eu, o que considero um dos maiores presentes que já recebi.

Em definitivo, sepultei minha mãe, superei minhas dificuldades com o sexo oposto, com meus familiares, com a minha auto-cobrança excessiva e com a inerente onipotência que foi canalizada para atitudes que não mais agrediam, nem a mim nem aos demais. Dessa forma, criei uma consciência crítica que me permitiu ser mais consciente de mim mesma e daqueles que estavam a meu redor.

Eu renasci com a terapia e a ela sou muito grata. Não posso dizer que sou melhor ou pior que antes, entretanto, afirmo que sou completamente diferente de quem eu fora e, com isso, me sinto plenamente confortável e feliz com a pessoa que me descobri.

A. C. S. M., 23 anos, professora de L. Inglesa.
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